terça-feira, 28 de setembro de 2010

Carta do Tchoukball

1. O jogo exclui toda busca de prestígio, tanto pessoal ou coletivo:

a) Sobre o plano pessoal: a atitude do jogador implica em respeitar todos os demais jogadores, sejam adversário ou da mesma equipe, fortes ou fracos. O jogo é aberto à todos, uma vez que as capacidades constitucionais ou aquisitivas, são muito diversas! É portanto, inevitável o encontro de todos os níveis de qualidade de atletas; o respeito e a consideração mútua obriga todos os jogadores a adaptar seu próprio comportamento técnico à circunstância do momento.

b) Sobre o plano coletivo: o resultado, qualquer que seja ele, não implica em elevar a estima e a satisfação pessoal, não dá direito ao “sectarismo” de qualquer gênero! Uma vitória pode provocar prazer e alegria, mas não é razão de um orgulho presunçoso. A alegria provocada por uma vitória é um incentivo, o orgulho do vencedor implica em gerar uma luta de prestígio que nos condena, porque é sujeito de tensão e conflito nas relações humanas dos mais diversos tipos e níveis.

2. O jogo comporta uma permanente “entrega de si”: para começar, uma atenção constante na circulação da bola, depois as observações simpatizantes dos jogadores. A “entrega de si” é a participação subjetiva ao evento, tendo por resultado uma mistura das personalidades numa confrontação recíproca em relação ao jogo:

a) Senso de rendimento coletivo da equipe: une os membros da equipe; ensina a estimar e a apreciar seus valores; cria um sentimento de unidade dentro do grupo;

b) Assimilação das atitudes do time adversário: precisa-se impor um jogo adequado aos adversários, o que não comporta, em momento algum, sentimento de hostilidade de nenhuma espécie;

c) Preocupação principal de cada jogador: deve ser a procura de um bom jogo. A experiência universal dentro dos esportes se resume na seguinte expressão: “o bom jogo chama o bom jogo” . Esta disposição de espírito é a base da ação social do Tchoukball. Ela permite orientar-se à perfeição e a evitar sempre ação negativa contra o adversário. Mais do que uma regra do jogo, é uma regra de conduta permanente, componente psíquico do comportamento, base da personalidade social. Tendo como objetivo a suspensão de conflitos dentro de uma perspectiva comum, a idéia de “fair play” (jogo limpo) deve ser superada. Não se trata de concessão feita ao adversário mais sim de uma ação conjunta, que une as equipes, onde o bom jogo de uma equipe colabora para o bom jogo da outra.

3. O jogo é um exercício social por meio de uma atividade física. É uma prática comum dos meios de execução. O melhor tem a responsabilidade de ensinar os menos dotados, não existindo portanto, um campeão no sentido literal da palavra, mas sim uma corrida pela competência.

Quando se diz: “que vença o melhor”, deve-se recordar o fato de que “ser o melhor” é sinônimo de uma preparação qualificada ! É justo, portanto, que os resultados recompensem os esforços feitos pelos jogadores, primeiro individualmente e depois coletivamente. Desse ponto de vista, uma vitória pode e deve suscitar uma satisfação natural, seguida pelo respeito ao adversário. A vitória deve provocar na equipe adversária estímulo (desejo de fazer) e não um sentimento de engrandecimento. Os vencedores deverão esforçar-se para favorecer tal impressão. A satisfação sana dos vencedores consiste na maneira cordial de estender a mão aos jogadores da equipe que perdeu, incentivando-os a um treinamento mais eficaz. Por todas essas razões, a noção de “campeão” deve dar espaço a uma noção mais modesta e melhor se adaptada àquela de simples “vencedor”.

Jogar para aperfeiçoar-se. É esse o sentimento que cada atividade esportiva deve comportar e desenvolver. Toda a organização do TCHOUK-BALL deve basear-se em tal afirmação, desde o simples amistoso ao mais sério confronto internacional.

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